encounters…

Andar pelas ruas montrealesas com neve e vento deixa a relação de alteridade um pouco afetada, vc nao vê quase nada e nao reconhece quase ninguém. Mas a neve, que quando cai faz o silencio nas ruas ser enorme, nao afeta a audição. Com o frio se ouve melhor talvez. A si e aos outros.

E foi assim hoje. Perto da minha casa tem um local que ajuda as pessoas in need. Se vc ta sem trabalho e nao tem o que comer, é pra la que vc quer ir. Todo dia de manha eu encontro varias pessoas com carrinhos de compras repletos, e eu sempre me perguntava onde é que era o supermercado q incitava tanta gente a ir la comprar. Com o tempo descobri que o supermercado era na verdade essa maison d’aide. Semana passada, quando a neve ainda nao estava afetando a visao, um casal espanofono me havia perguntado como é que fazia pra chegar em tal lugar, a maison d’aide pensei… Existe toda uma discussao sobre esses orgaos de ajuda, infelizmente existe uma direita no quebec ( nao tao ruim como a direita no brasil, ainda bem) que questiona a efectividade destas ajudas socias. Pq tem sempre aquele que acostuma a ser ajudado e nao quer mais trabalhar… Falando sobre isso com o Guillaume ele me responde (e é por essas e outras que eu amo esse homem): no quebec nao se governa as excepções!  Enfim…

Hoje, a neve, o frio, esperando o onibus pra vir pra casa, um casal a minha frente com o carrinho de compras. O rapaz, que tratava a mulher de maneira grosseira, olhava o horario do onibus… A mulher de longe solta uma pergunta: Que horas é o proximo??? Ela falava português do Brasil! Isso é uma outra coisa sobre morar no exterior, por mais que vc tente evitar, toda vez que vc ouve alguém falando a sua lingua vc vai necessariamente olhar pra pessoa, é quase um movimento involuntário…

Fiquei ouvindo ainda algumas outras sentenças, pra ter certeza de que era português mesmo. e era. E eu nao falei nada.  Fiquei sem graça com a tristeza do casal, com o olhar voltado pro chao. Fiquei pensando nessa coisa que é precisar de ajuda, ainda mais num pais que nao é o seu. Nao ser daqui pode ser pior do que se imagina, pensei.

O onibus chegou e o silencio da neve faz com que a gente se sinta num deserto.

k

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One thought on “encounters…

  1. A ajuda aqui no Brasil também é alvo de muito questionamento. Mas, assim como seu marido acredito que o governo não deve se pautar nas exceções. Pois, num país tão desigual como o nosso, acho que é um meio de ao menos evitar que pessoas morram de fome!!
    A realidade social no Brasil me entristece e muito.
    Beijos
    Lan

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