The last day of Abigail

I was wondering how it would have been if I had stayed. Looking back now it feels like every step, all the mistakes and hits led me to right here and now. It is a sort of bitter sweet feeling, and today while we were dancing in the living room I realized that the huge gap between us was because of this sadness, unmeasurable. And yet this is what keeps us close, what keeps us longing for each other, like something you can never reach.

In a way, I was never there.

The day started white, the snow falling outside made me think about the readings I wanted to do today and all the movies on my list sitting there waiting for me. It took me a few minutes to decide  where to start, movies first, books after, email to friends and phone calls by the end of the day. But that feeling wouldn’t leave me alone. What had happened if I had stayed? What happened to my old friends and their long hairs? We were all so alone and so lost, and yet how lucky we were! I figured that having no certainties was what made us all free, and what brought me here.

I read Judith Butler and saw some movies from my list, some others that I found it could be good. I enjoy my solitude, every part of it.

And I will never know why she didn’t call me Abigail.

k

In love with Luce.

Image

O tempo escorre mais rapido do que eu gostaria e mesmo tentando fazer de Chronos um aliado nem sempre consigo fazer tudo o que gostaria: trabalho em demasiado, namoro em todos os possíveis minutos, cinema, e ler. Mas ando apaixonada pela Luce…

Irigaray3

Acho interessantissimo as questões que ela levanta sobre a exploração da intersubjetividade e a necessidade de se criar o sujeito feminino. A forma como escreve me instiga a reler outras grandes obras como O Segundo Sexo e Os poderes do Terror respectivamente de Simone de Beauvoir e Julia Kristeva. Sao questoes muito pertinentes e cada vez mais recentes.

O blog andou esquecido por pura falta de tempo. Varias coisas interessantes aconteceram nestes ultimos dias mas faltava poética, faltava lirismo, e sobrava muito sono e a escrita nao saia. Ficou restrita à umas folhas perdidas que quem sabe um dia virao a tona.

O amor é ainda e sera sempre provavelmente o que mais me surpreende. Reduz todos os outros sentimentos à impertinência e triunfa soberano. Essa busca à transcendência, ao confrontamento, é o que move o mundo e o que me move.

Saudades dos amigos, dos de perto, dos de longe, dos atemporais.

K

 

The fall with Irigaray

Fall chegou pra ficar. Chuva e mais chuva e céu nublado. Nada melhor que ficar em casa com os amigos em tempos assim.

Ando lendo Irigaray e confesso que sou quase fan. A mulher é fantastica e alem de escrever muito bem, ela levanta questões super recentes e interessantes no que concerne o mundo masculino em que vivemos. O livro gerou varias discussões aqui em casa com Guillaume, e varias reflexões pra mim.

Quando alguém me pergunta o que é feminismo eu geralmente levo um tempo pra pensar a resposta, no geral feminismo é algo super mal interpretado pela grande maioria e eu faço o possível pra nao cair nos jargões estereotipados do termo. Gosto de muitas coisas nos livros de Irigaray e uma das teorias que ela desenvolve é exatamente como criar uma relação entre homem e mulher sem a subjugação de nenhum dos dois.

É mais ou menos sobre este ponto que muitos se confundem sobre o feminismo e Irigaray vem para desmistificar este ledo engano. Lacan e Derrida sao ao meu ver suas grandes influencias e é a partir das terorias do espelho (lacan) e da teoria do logocentrismo (Derrida) que ela desenvolve a idéia da escrita feminina, do reconhecimento do sexo feminimo e por ai vai. Ela é muito boa.

Mas o fim de semana nao foi apenas Irigaray. Teve jantar com amigos queridos, namoro, risadas e boas noites de sono!

eu sonhei com iceberg e com um urso.

k

A liberdade

Relendo um texto do Adorno me deparei com um paragrafo que eu havia grifado um tempo atras que dizia que para se ser livre deveria se assumir a angustia e a tristeza. Que o mundo moderno se esforça tanto para nos entreter que esquecemos disso. Da angustia libertadora.

Eu achava que era a angustia existencial. Felipe diz que nao, que deve estar relacionado com a guerra e as mortes que estao sempre presentes nos textos do povo da escola de Frankfurt. Talvez as duas coisas, who knows!

Montreal anda cheia de sol. um sol forte, escaldante. Meus tomates crescem no jardim. Mas meus pensamentos restam distantes.

É através da renuncia que o sujeito se define.

k

The Night Shadows

“A wonderful fact to reflect upon, that every human creature is constituted to be that profound secret and mystery to every other. A solemn consideration, when I enter a great city by night, that every one of those darkly clustered houses encloses its own secret; that very room in every one of them encloses its own secret; that every beating heart in the hundreds of thousands of breasts there, is, in some of its imaginings, a secret to the heart nearest it!

(…)

My friend is dead, my neighbor is dead, my love, the darling of my sou, is dead; it is the inexorable consolidation and perpetuation of the secret that was always in that individuality, and which I shall carry in mine to my life’s end.”

A tale of two cities, Dickens.

k

O pensamento poético

A neve so começou a cair agora a tarde, pela manha quando sai pra analise o dia seguia frio (mais frio que agora) e com um tímido sol. Minha teoria de que dias ensolarados sao os dias mais frios se confirma a cada dia que o sol sai.

Mas esse nao era o ponto da conversa. Terminando Men in Dark Times da Hannah no caminho pra analise, mergulhada na estoria do benjamin. A Hannah diz que benjamin acreditava que tínhamos um tipo especial de pensamento, o pensamento poético, e foi isto (entre outras coisas) que o fez escrever em “parabolas”, citações, pq pra ele essa era entao a unica forma possível de escrever. Pra ele, que nao tinha lido Wittgenstein, a linguagem era realmente tudo com isso todos os problemas sejam eles políticos ou filosóficos eram na verdade problemas linguisticos. O Foucault bebeu muito nessa fonte.

Ontem Guillaume dizia: vc precisa parar de ler a Hannah! Eu me apaixono pela estoria de vida das pessoas. Todos os filósofos, poetas, escritores que eu amo tiveram uma trajectória de vida muito especial. Acho que isso se estende pra amigos também.

Vou voltando pro livro, nesse friozinho, namorar e ler é o que ha!

k

O primeiro menos 30 do ano.

As manhas ensolaradas do inverno sao lindas. Sol na neve reflectindo luz pra todo lado, é realmente muito bonito. E da janela da minha sala até parece que ta calor la fora…

-30C. Mas o dia seguiu sua melodia. E o dia tava mesmo lindo.

Melhor coisa num dia de frio é sair de casa dançando, entrar no metro quentinho e tirar um bom livro da bolsa pra ler, e com sorte observar as pessoas na rua. O povo em montreal é tao bonito!

Lendo men in dark times, da Hannah Arendt. Preparando aulas. Feliz da vida pq to apaixonada. E com saudades do meu pai.

Memoria é uma coisa estranha.

k