Estamira

Uma das vantagens de se estar de férias é poder passar um tempo nas ferramentas de busca da internet procurando por filmes brasileiros. Numa dessas minhas empreitadas encontrei uma versão de otima qualidade de um documentário chamado Estamira.

Estamira é uma senhora de 63 anos que trabalha no Jardim Gramacho (o mesmo do  documentário Wasteland do Vick Muniz) ha vinte anos. Estamira é esquizofrenica e têm uma maneira poética e filosófica de ler o mundo.

Estamira ja foi casada, e deste casamento teve 3 filhos muito bem criados e ja adultos. Depois de muita tristeza e de ter sido violada sexualmente pela segunda vez Estamira perdeu-se em suas crises esquizofrenicas. O filme é sobre essa tristeza absurda e incomunicável, capaz de levar um a loucura. É um grande soco no estomago porque mostra a situação nao apenas de Estamira mas de muitos brasileiros vivendo em condições indizíveis de sobrevivência…

O documentario é de 2004 feito por Marcos Prado, que utiliza preto e branco em varias cenas do filme para descrever o cenário em que vive Estamira: hostil, feio, triste, so. Pelos olhos de Estamira vemos um pais carrasco, sem perspectiva, cruel e que se acostumou com suas mazelas.

Estamira morreu no final de Jullho agora, de uma infecçao. Morreu mesmo foi de tristeza, eu acho.

k

 

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Homesick

Saudades de casa nao é bem o termo. É saudades de coisas sem importância que nao sei enumerar. Mas essas coisas sem importância, quando juntas, compunham cenas da minha vida. E no entanto, nao é das cenas que sinto falta, mas dessas quimeras que faziam parte do meu caminho. O cheiro da chuva, as flores dos ipês caidas pelo chao vermelho de barao geraldo. A batucada na hora de ir pro Bandeijao. As subidas de Piracicaba. Pessoas desconhecidas que diziam algumas palavras aqui e ali. Saudosismo é assim. Eu to muito homesick today…

Casamento gay no Brasil

Essa noticia veio como um bálsamo, a legalização do casamento homossexual é um avanço incrível na historia do Brasil. E muitos dos meus queridos amigos agora vao poder legalmente proteger suas famílias e isso é bem legal.

As vezes me da vontade de voltar ao meu pais. Matar todas as saudades, conviver novamente com as pessoas que eu amo e que sao tao especiais pra mim. Mas essas mesmas pessoas tao especiais me dizem sempre “no way! Nao volte nao! As coisas nao vao tao bem assim pra vc voltar, principalmente na nossa profissão”.

E ai eu fico. E olho a minha volta e fico enamorada novamente pelo meu novo pais, pela minha nova cidade – tao linda. Alias, eu preciso falar deste cara que eu conheci em um dos meus trabalhos (sim, eu tenho vários, rs). Até hoje nao sei ao certo o nome deste menino que vem do Alabama e que é de uma religião muito próxima aos Amishs. Alem do sotaque super interessante do Alabama que eu gosto muito, o tal menino é super super fervoroso. E as conversas sobre fé e religião sao de certa forma interessantes. Pessoas com fé sao interessantes.

E o menino insiste em cada vez que nos encontramos dizer algumas palavras pra me salvar, because so far ça va très mal, rs. E desta ultima vez ele me disse que eu vou pro inferno pq nao dei meu coração a Jesus. Basicamente é assim simples: doe seu coração a Jesus and go to heaven!

E o melhor marido do mundo, que é meu melhor amigo e grande amor, continua cada dia mais lindo e mais doce e mais cheio de lindas surpresas. Eu amo esse menino.

E é isso,

k

A resposta é o Amor

As ondas de homofobia no Brasil têm me deixado bem assustada e triste. Em Sao Paulo, na Frei Caneca, a rua que tantas noites andei indo ou voltando da Loca, virou palco de espancamentos de homossexuais. Uma tristeza e um medo. Tristeza porque é difícil de acreditar que existem realmente pessoas capazes de tal monstruosidade e medo porque algumas das pessoas mais queridas na minha vida sao gays.

Ontem eu assistia a este programa do SBT sobre essas ondas de odio contra homossexuais e fiquei pensando onde esta a origem disso e em como combater a este ódio. A Karina de 10 anos atras diria que é uma questão de ignorância, que o saber com certeza tornaria o mundo melhor. Mas eu me lembro muito bem de uma conversa com o meu querido Leandro Karnal, numa das inúmeras caronas que ele me dava pra sampa de barao geraldo, onde falávamos sobre preconceito e ele me dizia que conhecimento nao era a resposta, que tinha muita gente instruída e ainda assim preconceituosa, racista, e depois de muitos exemplos, me convenci.

Hoje em dia penso que a única solução é o amor. Pra combater qualquer tipo de ódio, so o amor. O amor em formas diferentes e variadas, em forma de palavras ou um abraço, nao sei, mas eu acredito que a resposta so pode ser amor.

O estranhamento, a alteridade, em toda a nossa historia resultou em massacres, medo, odio. Mas o ser humano aprende com o tempo (nem que seja muito tempo) e esse mesmo estranhamento que destruiu civilizações inteiras pode muito bem hoje em dia e no futuro ser a porta para um entendimento continuo e mutuo das diferenças que tornam cada um de nos tao único e tao especial.

O mal na sua essência mais pura me deixa muito triste, mas eu sou optimista e nao desisto nunca.

k

O problema do Brasil

O problema do Brasil é a sua classe média mediocre. É essa classe média de direita, tecnocrata, que insiste em nao ver as melhoras que o Governo Lula proporcionou ao Brasil e aos Brasileiros.

A classe média tem medo do que???? Nao quer viver com segurança, sem medo e num pais mais igualitário???

A classe média mediocre tem essa vontade exacerbada de ser melhor que o resto da população. Ela tem medo da igualdade de possibilidades, e de direitos.

Eu tenho um profundo desprezo por essa classe média mediocre. E sinto até um ligeiro doh. Porque deve sim ser muito infeliz ter acesso à informação e ao conhecimento e mesmo assim viver o resto da vida sendo um alface.

Acorda classe média mediocre!

K