The last day of Abigail

I was wondering how it would have been if I had stayed. Looking back now it feels like every step, all the mistakes and hits led me to right here and now. It is a sort of bitter sweet feeling, and today while we were dancing in the living room I realized that the huge gap between us was because of this sadness, unmeasurable. And yet this is what keeps us close, what keeps us longing for each other, like something you can never reach.

In a way, I was never there.

The day started white, the snow falling outside made me think about the readings I wanted to do today and all the movies on my list sitting there waiting for me. It took me a few minutes to decide  where to start, movies first, books after, email to friends and phone calls by the end of the day. But that feeling wouldn’t leave me alone. What had happened if I had stayed? What happened to my old friends and their long hairs? We were all so alone and so lost, and yet how lucky we were! I figured that having no certainties was what made us all free, and what brought me here.

I read Judith Butler and saw some movies from my list, some others that I found it could be good. I enjoy my solitude, every part of it.

And I will never know why she didn’t call me Abigail.

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The color blue

Decidimos correr ontem até o lago em lachine. Incrivelmente o lago tinha a mesma cor das minhas fotos do lago! Pensei que foi lindo ter fotos que reflectem exactamente aquilo que meus olhos vêem. Mas o lago era de uma azul petróleo tao lindo!

Tinha uma brisa leve no caminho devolta pra casa e foi bom. Depois teve jantar na casa da minha querida amiga Manu. Manu é uma menina linda, de uma bondade inacreditavel e muito interessante. Eu sempre aprendo algo com ela. Foi uma noite linda regada a muito vinho bom e conversa agradável!

Mas antes teve um pouco de Hannah Arendt, pra nao perder a pratica, e num caderninho perdido uma frase assim: nenhuma morte é súbita, todas as horas sao graves. algo assim. acho que era do Mario Quintana. Foi bonito.

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Os amigos e o feijão.

Eu andava meio homesick. Saudade da abobrinha da minha avo, do feijao da minha tia, da panqueca da minha tia e da deliciosa macarronada de domingo feita pela minha querida mae. Coisas que ficaram na memoria e que provavelmente têm um sabor ainda melhor por causa da saudade.

E é ai que os amigos aparecem. Minha amiga J me convidou pra comer feijaozinho la na casa dela e de quebra ainda me deu café 3 coraçoes! Fiquei taoooo feliz! De repente todo o peso do mundo desapareceu e eu caminhava ligeiramente as ruas montrealesas! E hoje, por pura sorte, ganhei felijaozinho delicioso da minha amiga A, feito com muito amor e carinho.

Ah, os amigos, que sorte a gente tem em ter alguns!

Sentir saudades do Brasil acontece as vezes. É uma saudade estranha. Mas passa logo, depois de um prato de feijao, e um abraço amigo!

Agora, esperando o maridao terminar suas tarefas, aguardo o abraço-casinha que sempre recebo dele com tanto amor. E ai vamos falar dos nossos sonhos, dos nossos projetos e dormir sonhando no seu carinho.

O amor, é lindo.

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tempo tempo mano velho

Quando eu era adolescente e as dores pareciam mil vezes mais doloridas do que eram, meu pai me dizia que o tempo era o unico remédio. Era o tempo, essa convenção de horas e anos, que curaria minhas frustrações, medos, decepções. Desde que me recordo meu pai sempre foi pra mim um grande sábio. Ele tem essa calma na voz e no olhar que faz qualquer um se sentir muito em paz quando perto dele.

Sim, é verdade, o tempo cura tudo. Principalmente para os sem memória como eu. Esquecer, na maior parte do tempo, é o melhor remédio. Fica, claro, uma certa memória residual: quem é mordido por cobra fica com medo de linguiça. O tempo me ensinou muitas coisas e muitas outras eu ainda nao aprendi. Mas eu sei com certeza do valor da amizade e do que ela realmente significa.  E que aquele ditado antes so que mal acompanhado é uma enorme verdade, rs.

Eu to lendo um livro muito bom do Dickens, mas ja é a segunda vez que meu marido mais lindo do mundo resolve folhear meu livro e desmarcar a pagina onde estou.

Ontem fez sol, fez 6 graus, e tudo tava tao lindo com a cor da primavera que ta chegando! e eu fico tao feliz em piratear todos os programas que eu preciso!!!!

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Visiting Z.

Cinco anos sem ver Z. Ultima vez estavamos nos EUA estudando e turistando. Sempre achei o sotaque de Z. a coisa mais meiga, especialmente quando fomos fazer snowboarding em Denver… tao bonitinho Z. falando snowboarding com o seu sotaque britanico.

Z. mora no Pais de Gales e a gente gosta da Imogean Heap. A gente tambem gosta de Zero 7 e Z. eh otima baterista.

Cinco anos sem se ver mas nem parecia. E eh tao legal quando um amigo sabe das coisas que vc gosta! Z. me levou numa livraria sensacional e enorme onde ficamos por horas, tomando um chazinho e perconrrendo corredores e mais corredores de livros velhinhos. Eu adoro cheiro de livro velho.

E depois ganhei presente, Jamie Oliver’s Italie, um livro de receita super legal de um dos meus chefes preferidos. E nao bastasse isso, ela ainda me levou no Barbecoa, um dos trocentos restaurantes que o Jamie tem pelo mundo. Adorei a surpresa e a comida, foi muito legal.

Me preparando pra voltar pra Montreal semana que vem. Pensando no ano novo que chega, no casamento da minha amiga Elaine e na minha familia. Viajar faz bem, mas voltar pra casa tambem eh bom!

Hoje tem festa de natal da companhia do Guillaume e a concepcao da festa eh super legal: vamos cozinhar alguns dos pratos! I am not worry at all pq a maior parte dos colegas do Guillaume ( e o GUillaume incluso) aso super mega cozinheiros. E quem sabe eu nao estreio uma receita do meu novo livro?!!

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Buried

Acho que a idéia foi boa, colocar o Ryan Reinolds num caixão falando com o celular. E ele mandou bem. Mas faltou alguma coisa. O cara sentado na minha frente saiu do filme olhando pra mim com uma cara de quem pergunta: vc entendeu alguma coisa? É um bom suspense, e o final surpreende. Rodrigo Cortés mandou bem.

Chegou a Arte de produzir efeito sem causa, minha amiga Maria me mandou o livro do Mutarelli e eu fiquei muito feliz, termino de ler ainda hoje. Tem uma parte muito legal do livro, meio filosofia de bar, quando jr encontra um outro bêbado num boteco perto do viaduto do cha e ai começa um dialogo sobre a realidade. A realidade nao convencia o bêbado. O bêbado dizia que o mundo era como o mundinho do pequeno príncipe, deus tinha colocado no mundinho uma rosa, umas vacas, mulher e filhos e uma coisinha a mais: uma cova. O deus falou: olha meu filho, vc tem tudo ai nesse mundo e eu so peço algo, que vc tampe essa cova ai. Mas a cada vez que o homem tampava a cova ele fazia outra. E basicamente a vida era isso, abrir um buraco pra tampar o outro. Eu leio esse livro imaginando o Mauricio lendo ele pra mim. Mutarelli me faz pensar no Mauricio.

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Falava com Fernando ontem sobre a intolerância. Sobre o que Adorno fala do preconceito. É muito triste isso. E e fernando temos uns sentimentos em comum que até assusta.

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Entre a cruz e a espada

Fernando Gabeira apoiando o Serra foi um tapa na cara. Começou assim a minha quinta feira, essa idéia na cabeça. Contradições contradições.

Revi os ex colegas de trabalho. Aquela mesma conversa de sempre, de quem é do bem e quem é do mal. O mundo é mais dualista e maniqueista do que imaginamos. Eu fico pensando que tem sempre algo mais por detrás dessas meras conversas. Se a vida é sempre cheia de insatisfações ela é também cheia de sonhos e conquistas.

Sai do encontro as 13h debaixo de uma chuva gelada que caia sem tregua. Na bolsa um livro a ser terminado e anotações que nao acabam nunca. Quarta teve o show do Pink Floyd e eu tava ainda cansada. No Brasil toda aquela discussão sobre  o papel atirado na cabeça do Serra. O que importa é que a Dilma vai ganhar.

Mas no fundo no fundo eu pensava na minha amiga que vai se operar sexta que vem. Sozinha em Floripa, ou melhor, com o namorado, queria poder ir la dar um abraço, levar flores.

A sexta começou ensolarada. E eu vou pro karate pensando na amiga dodoi.

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